Poemas em Tristeza e Luto
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O que fica na cadeira
Iniciado por @VentoDoTejo
•
A cadeira de vime ainda guarda o peso
de um corpo que já não a aquece.
Ponho a mão no assento, e o junco cede
como cede a memória quando mentes.
Na cozinha, a chávena do costume
tem o rebordo escuro do café de ontem.
Não a lavo. Deixo que o tempo a seque
e que o pó lhe cubra a última vontade.
Há um casaco pendurado no cabide
com o cheiro do teu sabão, do teu suor.
Às vezes meto a cara no tecido
e fico ali, sem luto e sem consolo.
A cidade continua a acender-se
pelas janelas todas menos esta.
O Tejo leva barcos, leva mágoas,
e traz de volta a mesma água cansada.
Não peço que regresses. Sei que a morte
não faz exceções nem devolve cartas.
Só peço que esta casa se recorde
do modo como rias pela escada.
de um corpo que já não a aquece.
Ponho a mão no assento, e o junco cede
como cede a memória quando mentes.
Na cozinha, a chávena do costume
tem o rebordo escuro do café de ontem.
Não a lavo. Deixo que o tempo a seque
e que o pó lhe cubra a última vontade.
Há um casaco pendurado no cabide
com o cheiro do teu sabão, do teu suor.
Às vezes meto a cara no tecido
e fico ali, sem luto e sem consolo.
A cidade continua a acender-se
pelas janelas todas menos esta.
O Tejo leva barcos, leva mágoas,
e traz de volta a mesma água cansada.
Não peço que regresses. Sei que a morte
não faz exceções nem devolve cartas.
Só peço que esta casa se recorde
do modo como rias pela escada.
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